“O Grande Circo Místico” de Edu Lobo e Chico Buarque. Aqui, a “Ciranda da Bailarina”. (Desligue o rádio do blog e ouça o coro de crianças.)
| Procurando bem | Medo de vertigem |
(Imagem daqui)
“O Grande Circo Místico” de Edu Lobo e Chico Buarque. Aqui, a “Ciranda da Bailarina”. (Desligue o rádio do blog e ouça o coro de crianças.)
| Procurando bem | Medo de vertigem |
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Não sei se a Terra sabe que há gente passeando sobre ela, gente encafuada em construções matreiras, antros de fragas, babelianas torres, cumprindo o seu tempo de serviço, satisfazendo imperiosos mas obscuros desígnios, gente contando dias como dúvidas, estremecida ao ritmo dos seus cataclismos. Assassina Terra, filiofágica, crua.
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Ora aí está. Afinal de contas as facadas no matrimónio que tanto homem perpetra diariamente (noitariamente, de preferência) têm uma compulsiva razão biológica. O homem, coitado, não faz mais que sucumbir à sua inelutável condição de macho. Maryse Vaillant vai ainda um pouco mais longe: “Todo o homem fiel evidencia, necessariamente, um desajuste de carácter”. Pois claro, do tipo atraso moral, depravação ou mesmo psicopatia congénita. Como devem estar felizes (finalmente) quase todos os homens do meu sexo!…
(E eu que pensava que a senhora era só a dona de uma fábrica de esquentadores…)
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“Nasci pobre e fiquei cego. Mas não me queixo. Pior que tudo seria se tivesse nascido preto…” (a autobiografia minimal de Ray Charles)
Talento, voz, sensibilidade, humor fino e cáustico. Um pessimista bem resolvido, um optimista no seio do infortúnio. Vá lá, desliguem de novo o radio do blog. Cliquem no play para ouvir Somewhere over the rainbow.
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Antes de mais, cumpre-me deixar aqui uma palavra de conforto e solidariedade, nesta hora negra, a todos os homens do outro sexo. Eu sei o que é ficar indefeso contra a instituição do matrimónio. Até agora, o estado velava pela vossa integridade física e mental, afastando liminarmente de vós qualquer hipótese de contrair matrimónio. Era, digamos assim, uma vacina eficaz contra a aquisição do estado civil de casado. A partir de hoje, todavia, vocês estão tão desamparados como qualquer um de nós. Eu sou heterossexual, extremamente vulnerável (fui infectado duas vezes pela moléstia do casamento), e sei bem os reveses que isso me tem causado na vida. Querem um conselho? Agora que já podem casar, esqueçam. Permaneçam solteiros.
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