o acidental filho do trala*

20 de janeiro de 2010

ouvido aqui e ali

ouvido “Não, não acho nada bem. A minha mãe diz que uma pessoa que gosta de uma pessoa do mesmo sexo não deve casar logo com ela. Deve ir fazer uma longa viagem para espairecer e tentar achar uma pessoa do outro sexo.” 

Ana, 8 anos, hoje, num programa da Antena 1.

(Oba, quem será a mãe desta miúda?)

(Imagem daqui)

18 de janeiro de 2010

obsessões do meu ipod

Grande Circo Místico - Capa

“O Grande Circo Místico” de Edu Lobo e Chico Buarque. Aqui, a “Ciranda da Bailarina”. (Desligue o rádio do blog e ouça o coro de crianças.)

Procurando bem
Todo mundo tem pereba
Marca de bexiga ou vacina
E tem piriri, tem lombriga,
tem ameba
Só a bailarina que não tem
E não tem coceira
Verruga nem frieira
Nem falta de maneira ela não tem
Futucando bem
Todo mundo tem piolho
Ou tem cheiro de creolina
Todo mundo tem
um irmão meio zarolho
Só a bailarina que não tem
Nem unha encardida
Nem dente com comida
Nem casca de ferida ela não tem
Não livra ninguém
Todo mundo tem remela
Quando acorda às seis da matina
Teve escarlatina
ou tem febre amarela
Só a bailarina que não tem
Medo de subir, gente
Medo de cair, gente

Medo de vertigem
Quem não tem
           Confessando bem
Todo mundo faz pecado
Logo assim que a missa termina
Todo mundo tem
um primeiro namorado
Só a bailarina que não tem
Sujo atrás da orelha
Bigode de groselha
Calcinha um pouco velha
Ela não tem
O padre também
Pode até ficar vermelho
Se o vento levanta a batina
Reparando bem,
todo mundo tem pentelho
Só a bailarina que não tem
Sala sem mobília
Goteira na vasilha
Problema na família
Quem não tem
Procurando bem
Todo mundo tem...

(Imagem daqui)

17 de janeiro de 2010

a palavra os outros

casamento1

Sobre a instituição do casamento, quer ela seja uma coisa de heteros ou de homos, ou de ambos, ou de nenhum, não me apraz dizer mais nada além do que já disse aqui, mas apetece-me mostrar o que Rui Zink diz aqui.

(Imagem daqui)

13 de janeiro de 2010

Haiti

haiti Não sei se a Terra sabe que há gente passeando sobre ela, gente encafuada em construções matreiras, antros de fragas, babelianas torres, cumprindo o seu tempo de serviço, satisfazendo imperiosos mas obscuros desígnios, gente contando dias como dúvidas, estremecida ao ritmo dos seus cataclismos. Assassina Terra, filiofágica, crua.

(Imagem daqui)

10 de janeiro de 2010

“Les hommes, l’amour, la fidelité”

maryse Ora aí está. Afinal de contas as facadas no matrimónio que tanto homem perpetra diariamente (noitariamente, de preferência) têm uma compulsiva razão biológica. O homem, coitado, não faz mais que sucumbir à sua inelutável condição de macho. Maryse Vaillant vai ainda um pouco mais longe: “Todo o homem fiel evidencia, necessariamente, um desajuste de carácter”. Pois claro, do tipo atraso moral, depravação ou mesmo psicopatia congénita. Como devem estar felizes (finalmente) quase todos os homens do meu sexo!…

(E eu que pensava que a senhora era só a dona de uma fábrica de esquentadores…)

(Imagem daqui)

8 de janeiro de 2010

obsessões do meu ipod

ray charles

“Nasci pobre e fiquei cego. Mas não me queixo. Pior que tudo seria se tivesse nascido preto…”  (a autobiografia minimal de Ray Charles)

Talento, voz, sensibilidade, humor fino e cáustico. Um pessimista bem resolvido, um optimista no seio do infortúnio. Vá lá, desliguem de novo o radio do blog. Cliquem no play para ouvir Somewhere over the rainbow.

(Imagem daqui)