o acidental filho do trala*

17 de fevereiro de 2010

sobre esta nossa coisa íntima…

… de querermos sempre manipular a opinião dos outros

barbatana A tentativa recorrente de tentarmos virar a opinião pública a nosso favor é mais velha que o mundo. Mesmo nós, que do poder só temos a barbatana, gostamos quando alguém diz bem do que fizemos ou enaltece as nossas posições e argumentos. Amigo meu chama-me inteligente e talentoso e di-lo aos outros completamente à borla. Essa história de que os amigos são quem nos fala a verdade é pura léria. Para que quero um verdadeiro amigo que olha de lado para o que faço, que está sempre pronto a aporrinhar-me com moralismos, que só sabe é chamar-me a atenção para as minhas burrices e infracções? Quero é amigos que me lisonjeiem, que acenem cordatos e respeitosos quando falo, que riam alvares das minhas piadas tontas. Quero lá saber do que eles pensam lá por dentro! O que me interessa realmente é que todos acreditem que eles são sinceros, ainda que nunca o tenham sido, nem façam planos para o ser.

E só tento agarrar-me à barbatana do poder… a caudal…

(Imagem daqui)

6 de fevereiro de 2010

obsessões do meu ipod (5)

chico_buarque

O samba em Chico Buarque – “Ela faz cinema”.

(Desligue o rádio do blogue à direita e ouça, clicando no play acima.)

Quando ela chora
Não sei se é dos olhos para fora
Não sei do que ri
Eu não sei se ela agora
Está fora de si
Ou se é o estilo de uma grande dama
Quando me encara e desata os cabelos
Não sei se ela está mesmo aqui
Quando se joga na minha cama
Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é a tal
Sei que ela pode ser mil
Mas não existe outra igual
Quando ela mente
Não sei se ela deveras sente
O que mente para mim
Serei eu meramente
Mais um personagem efêmero
Da sua trama
Quando vestida de preto
Dá-me um beijo seco
Prevejo meu fim

E a cada vez que o perdão
Me clama

Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é demais
Talvez nem me queira bem
Porém faz um bem que ninguém
Me faz
Eu não sei
Se ela sabe o que fez
Quando fez o meu peito
Cantar outra vez
Quando ela jura
Não sei por que Deus ela jura
Que tem coração
e quando o meu coração
Se inflama
Ela faz cinema
Ela faz cinema
Ela é assim
Nunca será de ninguém
Porém eu não sei viver sem
E fim.

(Imagem daqui)

Nota: Nesta rubrica. tenho vindo a publicar alguns ficheiros de audio. Assumo como legal esta actividade, mais por razões de natureza consuetudinária do que por verdadeiro conhecimento da lei de autores. Qualquer entidade que vislumbre um quadro de ilegalidade neste acto deverá fazer-me saber e a rubrica será de imediato cancelada.

31 de janeiro de 2010

ouvindo o pedro…

blogosfera Pedro Rolo Duarte, numa entrevista ao Biography Channel, aflora a questão de uma certa desorientação que diz notar na imprensa escrita em geral. Esta desorientação, esta perda de paradigma não é mais que uma pssageira crise de crescimento, digo eu. A blogosfera que, no dizer do jornalista, representa um pouco do que ele gostaria que fosse a imprensa, não a substitui nem se lhe assemelha, volto a dizer eu. De jornalismo nada sei, como nada sei de um sem número de outras coisas, incluindo a própria blogosfera, sobre a qual escrevi, sobre a qual me empolguei um dia, prescrevendo-lhe normativos e augurando-lhe  um lugar de destaque na tribuna mundial da opinião e da irreverência polemizada. E ela é hoje tudo isso. Mas o seu problema consiste em não ser mais do que isso. Ser uma tribuna de opinião política e sociológica, um speaker’s corner das oposições, um muro de lamentações da crise económica, é muito pouco para a blogosfera. Quereria que ela fosse também a expressão de um individualismo sério e autorizado, a manifestação de um estado de alma ecoante, de uma constante poética, de um esboço de novos rumos para a escrita criativa universal. Ecce blogosfera…

Pedro Rolo Duarte no Biography Channel

(Imagem daqui)

30 de janeiro de 2010

obsessões do meu ipod (4)

fausto papetti 

Fausto Papetti é, obviamente, uma pequena concessão que faço ao purismo jazzístico. Papetti não é, definitivamente, um homem do jazz, nem é definitivamente jazz a peça que vos mostro hoje. Porém, ela é encantatória na sua contenção e maturidade extremas. E muito pouco do que nos encanta pode ser totalmente alheio ao jazz. Digamos que se trata de música ligeira, no melhor easy-listening que se pode ter. Ah, pode até ser música do baile dos bombeiros, mas que nos traz uma arrepiante nostalgia, um lampejo da inocência perdida, lá isso traz…

(Imagem daqui)

prémios literários

livros … o meu amigo gameiro ganhou o prémio literário joão de miranda m., vencedor do prémio joão tordo de literatura, que ganhou o prémio josé saramago de literatura, vencedor do prémio nobel de literatura que ganhou o prémio bertha kinsky da literatura. O meu amigo santosilva é candidato ao prémio gameiro de literatura…

(Imagem daqui)

25 de janeiro de 2010

o meu médico…

medico O médico que me assiste é tecnológico, lacónico, portista, e metafórico. Numa das últimas visitas que temerosa e sistematicamente lhe faço desde Setembro passado, ele acariciou o teclado do seu novo gadget e disse:

“Vamos fazer outra citologia”.

“A coisa piorou, doutor? Pode falar claro.”

“Meu caro, ninguém vence este desafio. Estamos a jogar fora de casa e um empate já será uma vitória. O nosso objectivo é que haja prolongamento…”

Só quando cheguei a casa é que vi que, no dia seguinte, ia haver o Benfica-Porto para a Liga Sagres. Era então a este desafio que o meu médico se referia. E havia alguma razão para a sua derrotista previsão. Era a jornada 14 e o Benfica ganhou em casa por um a zero…

(Mas nada disso tem a ver com o meu caso clínico. Ou tem?!)

(Imagem daqui)