o acidental filho do trala*

8 de julho de 2010

Curso de iniciação ao Latim

latim Gaudete in Domino  -  O Gaudêncio está no dominó.

Te deum laudamus  -  Te dei uma lambada

Gaudium et Spes  -  O Gaudêncio no Spa

Pules ad Margaritam  -  Salta para cima da Margarida

Fedro -  O Frederico

Esopo -  O ensopado

La Fontaine -  A Maria da Fonte

Agnus dei qui tollis peccata mundi -  Eu dei-te um anho porque és o tolo mais pacato do mundo.

Miserere nobis -  A Novis está uma miséria.

Habemus papam -  Chegou o padeiro

(Imagem daqui)

7 de julho de 2010

combater a crise…

700-377968 Estão-me a dizer que não vislumbram outra solução. Vamos todos, definitivamente, ter que cortar a televisão, o telefone, a Internet (juntamente com o facebook e o farmville e as correntes de solidariedade e aquelas incontornavelmente ubíquas apresentações de powerpoint cheias de decrépitas fábulas moralizantes). Vamos ter que viver sem o 3D (e o 4D e o 5D, que já devem estar na forja). Vamos vender os telemóveis e os ipads e os pdas e pdes e pdis e restante fauna cibernética. Vamos afastar-nos decididamente do automóvel que nunca mais conseguimos pagar e dentro do qual teimamos permanecer. Vamos pregar o calote nas companhias de gás, água e electricidade, dizer adeus ao duche diário e aos motores que regam o nosso jardim, dispensar a cozinha e passar a comer figos e erva crua. Vamos fechar as nossas depauperadas mas persistentes contas bancárias e despedir por justa causa os nossos imprestáveis e obsoletos gestores de conta. Vamos recuperar os nossos sapatos do casamento, os fatinhos da comunhão e as gravatas dos nossos divórcios. Vamos vestir de novo a velha roupa que tínhamos empilhado para seguir para Angola. Vamos ficar surdos à importação, cegos às novidades e mudos à situação politico-económica. Vamos fechar a porta a todos os cobradores e abrir a janela ao ar puro, produto raro mas insuspeitamente grátis.

(Combater a crise! Que delícia! Que libertação! Que felicidade!)

(Imagem daqui)

29 de junho de 2010

Não resolvo crises, nem sequer as entendo…

crise Uma das poucas certezas que irremediavelmente possuo sobre a actual crise capitalista é a de que houve e há uma intenção em tudo isto. Ninguém conseguiria fazer tanto mal em um sistema, se isso se devesse apenas a circunstâncias de sorte ou azar. Terá, pois, certamente, havido um dedo (ou vários dedos) discando o número exacto que faria desmoronar as relações capital/trabalho de um jeito tão determinado e tão inconveniente para este último.

Se foi o capital que engendrou esta crise (condição de que parece não haver dúvidas), ele não a teria engendrado se ela lhe fosse manifestamente desfavorável, a menos que o capital seja de uma incompetência aflitiva, opção que também já há muito descartei.

Certamente me direis que tal crise também tem os seus side-effects desagradáveis para o capital. Admito isso perfeitamente. Por vezes é preciso provocar um vómito para que nos sintamos melhor depois.

E é assim que o capital vai passar a sentir-se em pouco tempo. Querem apostar?

Entretanto, já terão subjugado o trabalhador até à condição de quase escravatura.

(Imagem daqui)

13 de junho de 2010

Sem vuvuzela não dá, pá

vuvuzelas E foi então que o génio humano, num rasgo de… génio, é claro, inventou a vuvuzela. E eu que pensava que a humanidade já tinha descido tudo o que havia para descer. Enganei-me. A princípio julguei que a invenção fosse portuguesa. Não era. Mas podia muito bem ser. O português, quando fica apertado com qualquer coisa (uma crise, um azar, uma figadeira, um negócio falido, um jantar com a sogra, uma ida à escola para falar do puto, uma derrota no estádio), é capaz dos mais inusitados desarrincanços. A vuvuzela, tal como o Zé Cabra e tantos outros eficientes barulhogeradores da área do roque, parecia ser mais um sucesso estrondosamente imediato. E foi. O suficiente para se venderem alguns milhares que tiraram do aperto financeiro aquela família de esmerado bom gosto que resolveu comercializá-la entre nós.

Agora o outro lado, o lado dos jogadores e organizadores do evento desportivo mundial. Vejam lá, eles não gostaram da vuvuzela. Um bando de incultos, surdos que nem uma porta, sem um cêntimo de ouvido musical. Querem proibi-la. Dizem que impede a comunicação entre os jogadores no campo. Imaginem, um som tão mavioso…

E o golo? Que será do golo sem a vuvuzela? É como um filme sem banda sonora, que diacho… Como vou acordar quando a equipa das quinas marcar um golo? Não me importo de perder o desafio por causa do sono. Mas o golo (se algum houver) não queria perder. Isso não.

(Imagem daqui)

8 de maio de 2010

O sr deputado tomou posse…

gravador Quando aquele deputado do PS roubou os dois gravadores ao jornalista, alguém se referiu ao acto como uma tomada de posse: “ele tomou posse de dois gravadores”. A curiosa expressão estava, no meu inconsciente, ligada a uma cerimónia mais ou menos protocolar e honorífica em que governantes ou presidentes se apresentam ao país, assumindo que o vão governar a partir desse (por vezes hilariante) momento. Está tudo explicado. É bem possível, pois, que, a partir desse momento, também os governantes metam as mãos nos nossos bolsos… para nos roubar os gravadores, é claro…

Eles tomam posse, está visto…

(Imagem daqui)

11 de abril de 2010

vencer a crise

carteira Há 15 anos que não sou promovido. Primeiro, achei que tinha sido objecto de esquecimento. Depois, e de acordo com o Princípio de Peter, verifiquei que, de facto, tinha atingido o meu nível de incompetência.

Há, no entanto, outros como eu. E, curiosamente, considero esses bastante competentes no seu trabalho. Deve, no entanto, haver algum quid pro quo que lhes impede a progressão, como um cadáver no armário ou um escândalo sexual na adolescência, sei lá… A perplexidade do comparativo do eu com os outros é mais perplexa do que eu, quando me perplexizo. Na verdade, nunca soubemos por que razão os outros são piores ou melhores do que nós. Agora não sabemos também por que razões alguns são iguais a nós…

Já que a receita se manterá inalterável sine die, a solução da minha crise vai ter que se fazer do lado da despesa. Assim, já cortei quase tudo, excepto a água, o gás, a electricidade e a net. Mas também está por dias. Para começar, deixei de pagar o telefone. Toca todos os dias. Uma voz simpática de mulher aconselha-me a pagar a factura atrasada. Desligo. Não tenho grande respeito por vozes de máquinas.

Um dia desses vou ter que perguntar aos meus amigos perenemente despromovidos como fazem eles para chegar airosamente ao fim do mês.

(É que, comigo, chegar airosamente ao fim do mês é uma interrupção meteórica na minha ordinária pelintrice que não augura nada de bom…)

(Imagem daqui)