3 de outubro de 2010
29 de julho de 2010
gebo dois
Lembram-se do boneco do filósofo matarruano de Ricardo Pereira, o que chegava a ter dois pensamentos por mês? Pois o labrego que ora vos fala é filósofo muito maior que aquele. Só hoje, imaginem, só hoje e em menos de duas horas, tive dois pensamentos dois e uma pergunta existencial. Começo pela pergunta existencial: Quem disse que há alguém responsável pela Praia de Mira? | Agora os pensamentos: 1º pensamento - Faltam-me dois meses para ser sexy genário. O aspecto vai coincidindo. Mas descobri que não é a careca ou a barriga que denuncia tão ferozmente a nossa idade. É o pescoço. Veste uma camisola de gola alta e tens logo menos 20 ou 30 anos. Vivam as camisolas de gola alta; 2º pensamento - Cinco euros podem comprar cinco segundos de exultação, uma espreitadela furtiva do paraíso pela frincha da porta que alguém esqueceu entreaberta. Fui almoçar na praia e paguei a conta de 15 euros com uma nota de 20. Como o vinho tinha sido bom e a garota que me atendeu foi prestativa e atenciosa, deixei-lhe os cinco euros de gorjeta. “Muito obrigada. O senhor é muito simpático. Tive muito prazer em o servir. Volte sempre.” – disse ela. Setenta caracteres de felicidade suprema – digo eu. (Imagem daqui) |
22 de julho de 2010
O Verão é um tempo propício à reflexão…
… disse hoje o nosso Presidente. É por essas e por outras que eu nunca poderia ser presidente da república. E sabem sobre que é que ele vai reflectir? Vai reflectir no sentido de decidir se se vai ou não recandidatar à Presidência. Admitindo que tal decisão é, de facto, uma decisão grave e difícil, não me custa imaginar que Sua Exª passe todos os vinte e três dias úteis das suas férias a pensar, a reflectir. E este mar? E Este céu? E estes 30 graus? O que se faz quando a natureza nos brinda com estes milagres? Reflecte-se sobre ser ou não ser Presidente?! Ah não!
E tem mais, coitado! Suponhamos que ele decida recandidatar-se! E, pior ainda: suponhamos que ele volta a ganhar as eleições, coitado! Já que ele acha que o Verão é tempo de reflexão, sendo assim um Presidente tão reflexivo, vai perder, inapelavelmente, mais quatro ou cinco Verões de sol, finos, praia, mergulhos e bikínis. Coitado!
(Imagem daqui)
17 de julho de 2010
Claudino Mendes
Claudino Mendes, antigo combatente da primeira guerra, vivia, nos alvores dos anos sessenta, num pardieiro em ruínas que fora em tempos cortelha de galinhas, nos limites da povoação chamada do Cabeço. Conheci-o. Tanto quanto mo permite agora a memória das coisas que se guardam na infância, assemelhava-se a um daqueles profetas do Antigo Testamento que povoavam a minha Bíblia das Escolas – longas barbelas hirsutas, gabão de surrubeco corroído, olhava-nos garboso do alto dos seus quase dois metros e dos pergaminhos ilustres do posto de cabo de infantaria que honrou na Flandres. Cláudio Mendes era o tolinho do Cabeço. Intrigados com tal personagem, costumávamos espiá-lo dentro do seu galinheiro, aconchegado no gabão, pés de fora do cancelo aproveitando os ténues raios de sol das tardes de inverno.
Maria das Dores surgiu, afogueada, do quintal vizinho, transportando na mão um grande saco de abrunhos amarelos.
- Oh Ti Claudino, arranje-me aí um pratinho que eu deixo-lhe uns poucos destes abrunhos.
Claudino Mendes olhou para dentro do barraco e chamou:
- Copeiro, traz uma salva da cristaleira para guardar os abrunhos da Senhora Maria das Dores!
(Imagem daqui)
16 de julho de 2010
Gramaticarei-lho…
A fim de fazer face à presente crise, resolvi vender um velho cordão de ouro que minha mãe me deixou. Providencialmente, surgiu hoje na televisão um anúncio em que um sujeito, com uma cara
de parvo simpática, anuncia que avalia e compra velhas peças de ouro. Apurei a orelha, mas logo desisti. Nunca faria negócio com um tipo que diz “enviaremos-lhe”.
(Imagem daqui)
10 de julho de 2010
Teodiceia de betesga
| interminável luta sindical, ter direito a uma vidita um pouco mais longa - 70 anos para ele e um pouco mais para a baleia lá de casa. Não foi, no entanto, só na questão da longevidade que Deus falhou. Os órgãos! Os órgãos do homem são todos um escândalo, completamente destituídos de compatibilidade com as necessidades da sua vida. O fígado dói às segundas-feiras, a cabeça dói no fim do mês, as pernas doem no fim do dia, o | cotovelo dói quando o nosso colega foi promovido e nós não fomos. E o sangue? Que raio de mistura |
(Imagem daqui)