o acidental filho do trala*

3 de julho de 2009

Afinal, Bernardino, em que ficamos?

bernardino Fazendo jus ao seu subtítulo, o Tralapraki parece ser o único medium que está contra a detonação de Manuel Pinho. Não faz nenhum sentido destituir um ministro pelo facto de ele ter chamado cornudo, ainda para mais em código, ao líder do grupo parlamentar do PC, Bernardino Soares. Toda a imprensa e toda a comandita oposicionista viram nisto um crime de lesa pátria ou de lesa magestade. Em vez de se ter escandalizado tanto, a Imprensa deveria, tão simplesmente, interrogar o ofendido, mais ou menos nestes termos: “Senhor Bernardino, o senhor é realmente cornudo, ou trata-se de mais uma mistificação do senhor Manuel?”  Esta simples Yes/No question aquietaria qualquer ânimo, qualquer que fosse a resposta: “Sim, sou, mas o ministro tem olhos de raia e não vê a mulher vai para três meses” ou “Não, não sou! E se ele quisesse realmente saber onde está a mulher, perguntava-me a mim”.

manuelpinho E é tudo. Encerrava-se aqui o incidente. O ministro ficaria mais uns tempos a fazer rir os portugueses (que é disso que eles precisam), os trabalhos parlamentares seguiriam o seu rumo sem belisco e as (des)honras de todos os parlamentaralhos sairiam intocadas.

Não deixa de ser, no entanto, um pouco ousada (embora, em meu entender, não tanto como outras já conhecidas) a atitude que Manuel Pinho protagonizou. Trata-se de uma “investida” (com toda a propriedade) no campo íntimo de um deputado da nação. Qualquer dia, qualquer membro de um qualquer governo se pode dar ao escândalo de sustentar publicamente que o deputado X usa cuecas de Lycra, o Y adormece agarradinho ao Teddy Bear e o Z ouve os ABBA no carro com os vidros abertos. Isto sim, seria a desmoralização total do parlamento e do país…

(Imagens daqui e daqui)

28 de junho de 2009

Concentração de grávidas

gravida “Barrigas de Amor” no Canal 1

(Quem será o tipo que tem tempo e disposição para encher quele mulherio todo? Acredito que seja um desempregado, evidentemente…)

(Imagem daqui)

26 de junho de 2009

Negócios

Isolated red cherries A PT não comprou a Media Capital. Mas eu comprei cerejas.

O meu negócio fez-se sem mediação nem mediatismos, sem ASAE e sem IVA, sob guarda-sol colorido, na beira da estrada da Beira, onde outros negócios (tão ou mais libidinosos que o das cerejas) podem igualmente ser levados a efeito.  O homem que alegremente mas vendeu manteve a sua linha editorial. Tenho a certeza.

(Imagem daqui)

10 de junho de 2009

Participação de Ocorrência

calças No dia 9 de Junho de 2009, 3ª-Feira, pelas 11H00, no decurso de uma aula de Inglês, receberam ordem para abandonar a sala os alunos número cinco, Carlos Manuel Braga e número oito, João Pinto das Neves, do 7ºA, por se terem envolvido numa espécie de luta, de onde resultou a queda das calças de um deles, facto que terá provocado algum constrangimento na sala de aula e nas próprias calças do professor, anos 20, suspensorizadas, que nunca viram com bons olhos tanta devassidão.

Os alunos foram enviados ao gabinete de apoio, com tarefas prescritas: um deles foi incumbido de recolocar as calças o mais próximo possível da cintura; o outro foi incumbido de fazer um trabalho sobre a razão pela qual estas calças da moda não caem mais vezes. Nenhum dos alunos conseguiu completar a tarefa. O professor acabou por se esquecer de lhes marcar as respectivas faltas.

(Imagem daqui)

8 de maio de 2009

CDL e CII

cdl Os contratos de trabalho dos banqueiros e gestores bancários (enfim, de todos os que têm acesso fácil e privilegiado à massa com que se compram os melões) deveriam contemplar uma cláusula que justificasse a falta ao emprego quando aqueles profissionais acordassem de manhã com uma indomável vontade de fazer uma falcatrua financeira ou um desvio de capitais para as suas contitas pessoais. Chamar-se-ia Cláusula da Desonestidade Latente (CDL) e, no limite, evitaria a bancarrota do sistema capitalista. Não é que eu esteja particularmente empenhado em que o sistema capitalista não caia do cavalo ou não rebente pelas costuras. Por mim, pode até explodir, implodir, derreter, escoar-se, petrificar-se, que eu não estou nem aí. Mas custa-me por demais ser mais um dos pacóvios que andaram para aqui a ver navios, trabalhando decentemente, cheios de pruridos e de contenções éticas, enquanto uma falange de mafiosos se governou com o meu trabalho de asno e a minha inépcia financeira.

cii Cláusula semelhante deveria ser introduzida no ECD, permitindo aos professores ficarem em casa nos dias em que acordassem invulgarmente estúpidos. Neste caso a cláusula seria chamada CII (Cláusula da Idiotia Imprevisível). É que cachorrice e imbecilidade não são doenças genéticas. São adquiridas socialmente e mais contagiosas que sarna multissintomática.

Por que falo destes dois casos? Bem, do primeiro quem fala é a minha lamurienta e desprestigiada carteira. Quanto ao segundo, caí, desamparado e zonzo, numa reunião de professores contra encarregados de educação e vi quão benéfica teria sido uma quarentena. Chiça!

(Imagens daqui e daqui)

4 de maio de 2009

quarentena

mascara Tenho estado fechado. Por causa da gripe porcina ou mexicana ou lá como se chama essa nova coqueluche. (Ultimamente temos andado a sofrer de pandemonias várias: freeportite A, vitalmoreirite B, crisite C, desempreguite D, campanheleitoralite E, etc. Por isso estive fechado esse tempo todo. Mas agora vou regressar, visto que afinal só houve um caso em Portugal e ainda nem sequer foi caso que se visse. Portugal continua a ser um paraíso onde os vírus não se dão bem. (Nem os corruptos, que também são uma espécie de vírus mas maiores e com barba na cara, embora sem vergonha). Por isso vou regressar. De máscara clínica. Mas vou.

(Fica a ameaça.)

(Imagem daqui)