o acidental filho do trala*

15 de maio de 2017

Serviço Público

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Não digo que não seja razoável e até mesmo útil as pessoas preocuparem-se com assuntos deste jaez: Que Europa vamos ter? Ressuscitamos a velha? Fabricamos uma nova? Dará para renegociar a nossa dívida? Saímos do Euro? Fechamos as lusas portas e elegemos outro ditador?

Tudo bem, pode ser importante discutir esses assuntos. mas mais importante, muito mais, é saber se o protector solar que nos sobrou do ano passado pode ainda servir este ano. Isto sim, é assunto de inegável utilidade pública. Uma resposta cabal a esta matéria guindar-se-ia aos píncaros da mais absoluta popularidade.

Ora bem, nesta conjuntura, e como tenho um espírito inegavelmente científico, embora sem nunca me afastar do pragmatismo que nos sustenta de pé, fui pesquisar o que se sabia sobre assunto tão premente. E encontrei. Alguém fez um teste a estes protectores velhos que, por serem velhos, se escrevem com "c". (É desolador! Há sempre alguém que já pensou e avançou nas soluções de problemas que só agora me afetam. Jamais tive o direito a uma primícia, fosse de que tipo fosse....)

Portanto, já sabe: se, no próximo verão quiser usar o resto do protector solar deste verão, não se esqueça de comprar um bom protetor solar para o protetor solar.
Serviço público é isto. Estou aqui estou a deitar búzios...

13 de maio de 2017

Sobe a minha admiração por Donald Trump

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Sobe um ponto, mas sobe. Subiu de zero para um, seja lá que escala estou a usar. Donald Trump veio dizer recentemente que o exercício físico faz mal à saúde. Totalmente de acordo. Nada que eu já não tivesse comprovado há anos, perante a chacota colectiva. Há anos que eu venho avisando que as vísceras não foram feitas pare serem abanadas. Nunca foi provado que a ausência de exercício físico nos engorde e muito menos que nos mate. O Fernando Mendes está vivo, já tinham reparado? E se ele sofresse de alguma doença não poderia ficar anos a fazer aquele programa televisivo sem sequer uma caganeira…

Mas Trump vai mais longe: “o desporto é uma perda de tempo”. É por isso que Donald está riquíssimo. Enquanto uns estavam a suar num ginásio, ele suava a vender charutos como muambeiro na Big Apple. O seu tio, o Patinhas, nunca andava mais que alguns metros a pé e poucos quilómetros de automóvel, apesar de a razão não ser do domínio da saúde mas da economia, visto que solas e pneus são caros.

Eu nunca entrei num ginásio a não ser para espreitar as miúdas a suar. E sempre considerei que mal empregado era aquele suor, caramba…

Acontece que as pessoas comem demais. Gastam balúrdios em comida, desequilibram a nossa frágil balança de pagamentos, engordam demais e voltam a gastar balúrdios para desengordar. Em vez do ginásio, sugiro uma enxada e uma horta: batatas, feijão da atrepa, tomates, cebolas pepinos e pimentos. Mistura-se tudo com água e vai a lume brando…

Donald ainda estabelece um inaudito símile entre o corpo humano e uma bateria de telelé. Trazem ambos um número limitado de carregamentos. Quanto mais puxares por eles mais depressa se finam.

A verdadeira sabedoria não está nos médicos. Está nas pessoas que conseguem enriquecer sem fazer barulho e virar presidentes sem chacoalhar a tripa. Ainda que a competência psíquica seja diminuta, como parece ser o caso…

18 de março de 2017

Agradeçamos aos governantes

 

cartoon-donkey-white-background-45548039A morte é inevitável, mas é uma coisa um bocado chata. Já a burrice, sendo também inevitável, é, de facto, muito mais divertida. A única maneira eficaz de enfrentar a morte é ser ou estar burro. Há, pois, que emburrecer, e o mais rápido possível, pois não sabemos o dia nem a hora. Ficar burro não é assim tão difícil. Para emburrecer, basta estar vivo. Pelo contrário, ser inteligente torna as coisas bem mais difíceis porque deus, que dá o frio igual à roupa, dá os problemas iguais à inteligência.
Os ainestaines resolvem equações do quinto grau a dezasseis incógnitas. Os burros contam fardos de palha, ou comem-nos mesmo sem os contar, e são felizes.
Os governos, constituídos por gente de quociente de inteligência uns furos acima dos burros, sabem muito bem disto. E ajudam-nos, a nós, os burros, a sair da vida sem custar tanto...
Como é que um tipo rico e inteligente enfrenta a morte? Com um grandessíssimo cagaço: esperneia, barafusta, chora, arrepela-se todo, finca pé. E como reage à morte um pobre burro com uma reforma de meio saco de alfarroba? Ele diz-lhe comiserado: "Ok, morte, se achas que é por aí, eu vou por aí. Isto aqui também já deu o que tinha a dar. E segue-a, alapardado."
Agradeçamos aos governantes, aos ricos, aos argutos, aos facínoras, aos corruptos, aos chicos-espertos, e a toda a sábia fauna que nos rodeia, a capacidade de nos manter burros e pobres, pois se um camelo passa no cu da agulha, mais depressa passa um burro...

12 de novembro de 2016

Este Blogue que vos Deixo (16)

Uma estação meteorológica

figueira_branca_1_1Está mais que sabido que, quando os americanos dizem que vai chover, chove!! (Não, não me refiro à eleição do presidente, que este blogue a tanto não se eleva, e sim à mera e prosaica condição atmosférica). E se dizem que vai fazer frio é porque vamos tremer o queixo e queixarmo-nos disso. Os serviços de meteorologia americanos guindaram-se a uma posição de credibilidade que rejeita dúvidas.

O mesmo não aconteceu por volta do ano de 1950, em Portugal, numa aldeia (a que, não sei por que preconceito estúpido, sempre recuso afirmar que é a minha) muito perto de Coimbra, em que dois dos seus habitantes resolveram criar um serviço meteorológico para os agricultores, na linha do verdadeiro borda d’água, mas para melhor.

Aquecidos por alguns marqueses que emborcaram no Sr. Henrique, traçaram logo ali a estratégia do serviço: havia uma velha figueira no quintal deste vosso amigo, suficientemente alta para lá instalar o observatório. Não foi ventilada outra alternativa. O Moisés Botico foi quem subiu. O outro, o Palhais, ficaria em baixo, a registar o que lhe era sugerido  lá de cima, através da observação sistemática dos sinais dos tempos. É assim que se organizam estes e muitos outros serviços: um vê e o outro trabalha.

“Tal dia dá chuva! Aponta Palhais”. E o Palhais pegava no lápis de carpinteiro (era a sua profissão), molhava-o na língua e escrevia então que dava xuba ou garniso, ou bentania, ou trabuada…

Uma figueira velha, um projecto ambicioso, três marqueses e um escorregão ditaram a sentença. Era o fim do Acompanhamento Meteorológica para os Agricultores  da Região da Gândara ( o AMARGA).  O  Moisés veio por aí abaixo aos solavancos, amparado aqui e ali pelos figos, até se deter cá em baixo sobre um montão de agulhas e demais folhas, destinadas à cama dos porcos e das vacas da quinta.

“Acho que a ideia da figueira para observatório não foi suficientemente amadurecida” – diz o Moisés, ainda torto…

(Para que vos escrevo estas coisas? – perguntam vocês. Ora, para vos dar notícia de quão empreendedora era a minha aldeia, muito antes da moda das estrangeiradas empreendedorices de agora… )

30 de outubro de 2016

um cão em construção

cachorro cestaTinham-no adestrado bem. Ensinaram-lhe a ir ao supermercado buscar compras. De cabaz na boca fazia aquele percurso havia anos, talvez décadas. No fundo do cabaz uma nota de banco e outra escrita pela dona em caligrafia tortuosa. Na volta, um cabaz cheio de coisas boas, babadíssimas… Foram anos de dever cumprido sem esmorecimento, sem uma tentação.

Ontem, pelas 11 horas da manhã, viram-no, como sempre, entrar no supermercado, a sua felpuda cauda alçada de alegria e depois sair, exactamente na mesma garbosa e heroica atitude. Porém, alguns rápidos passos decorridos, o admirável cachorro lobrigou algumas cadelinhas simpáticas que o cumprimentaram cheias de dengue, ternura  e charme. O velho cão largou então o cabaz sobre o passeio, convidou para o banquete três vira-latas que por ali passavam (e nunca tinham engolido uma refeição daquele requinte), foi, cheio de salamaleques, cumprimentar as donzelas e nunca mais ninguém o viu.

Ainda hoje ninguém sabe dizer ao certo, nem mesmo a polícia, se o admirável ancião fez aquilo por senilidade ou por rebeldia…

11 de setembro de 2016

este blogue que vos deixo

O primeiro jacto

jato… e, de repente, surge no anil do verão aquele risco branco. Os homens pararam a lavoura. Mulheres benzeram-se e caíram por terra. Crianças romperam numa gritaria de fim do mundo. O coroinha foi tocar o sino a rebate. 

Era o fim do mundo, de facto. Aquele traço azul, a dividir hemisférios, não era menos que o dedo paráclito a riscar a giz qual deveria ser o lado dos justos e qual o dos pecadores. Dali foram logo a casa do velho prior que, como todos os velhos priores, estava de palito na boca e cheiro a cebola e vinho.  Olhou também para o céu e lá estava ainda, agora esvaindo-se num fumo esbranquiçado, o traçado dessa nuvem longilínea tão inesperadamente presente, tão irritantemente inoportuna, cuja aparição não constava dos anais da módica sabedoria do padre nem dos registos do Pentateuco. O padre achou, de facto, melhor, fazer uma missa rápida, e entrou na capela, seguido por todos, sob as estridentes badaladas do sacristão.

- Cala-te aí um pouco, ó Zé, e desce daí para a palavra de Deus.

E foi ali, naquele arrastar de latim e de lamúrias, que todos prometeram ser pessoas melhores, deixar intacta a leira do vizinho, nunca mais cortar a água a ninguém e fazer uma peregrinação a Fátima, a pé, se aquilo não fosse o fim dos tempos e se o Criador lhes desse mais alguns anos de vida.

- Há-de dar, há-de dar – disse o farmacêutico que, entretanto, se aproximara a ver que coisa estranha se passava ali, aquela atabalhoada missa tão a desoras  – há-de dar, senhor prior, há-de dar, porque aquilo ali no céu é, apenas e só, um avião a jacto.

A palavra do farmacêutico, que soara culta e científica, era também agora providencialmente santa, já que proferida e ratificada por Deus, dentro da Sua própria casa. Essas palavras aquietaram de imediato,  todos os espíritos, cujos corpos, descontraídos e bem humorados agora, foram regressando às suas costumeiras actividades agrícolas.

- E o resto da missinha? Valha-me Deus, cos diabos! – reverberou pelos velhos caixotões do tecto a voz roufenha do abade…

29 de dezembro de 2011

Obsessões do meu ipod (31)

Alguém chamou a isto “accordgasm”. E, de facto, assim parece. É um jovem ucraniano, de nome Alexander Hrustevich, que assim interpreta um trecho do Verão de Vivaldi.O tremelicado é muito mais fácil de fazer com um arco de violino do que com o pesado fole e chave de baixos de um acordeon.

obsessões do meu ipod

Alguém chamou a isto accordgasm. E é. É um jovem acordeonista ucraniano, de nome Hrustevich. Toca assim uma parte do Verão de Vivaldi.

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27 de dezembro de 2011

Preparando os cursos da primavera

SabedoriaO ligeiríssimo, num apelo irresistível à cultura do país (e também das pessoas que estão dentro dele), apresenta desde já o seu boletim de primavera relativo aos cursos seguintes:

FILOSOFIA I - Teologia das Conveniências

Sumário:  Uma primeira abordagem a Deus (mas de modo que Ele não se aperceba). Explicação sumária do mistério da Santíssima Trindade e do mistério das finanças públicas. Você, por acaso, sabe que diabo se passou com o dinheiro? Eu também não sei, mas o idiota que vai dar este curso deve saber. Saiba ainda por que razão não existe mérito nenhum no facto de Deus escrever direito por linhas tortas. Qualquer aluno faz o mesmo, não só em relação ao Direito, mas em relação a todas as outras disciplinas... Vocês já viram a caligrafia do Nuno?  E as Traduções do Inglês que ele faz? 

Mecânica e Electricidade II

Sumário: Você sempre quis saber a razão por que não se pode fritar um ovo numa guitarra eléctrica ou enviar uma mensagem curta (sms) com um massajador íntimo? Aliás, você nem sequer sabe o que é um massajador íntimo. Fique sabendo que não se pode enviar uma sms com um destes massajadores, pelo simples facto de que o massajador íntimo já é, em si mesmo, uma bela mensagem. Agora V/ pode aprender tudo isso e muito mais, sem sair de casa e, com um pouco de sorte, sem mesmo sair da cama.

Sexualidade III

Sumário: Procedimentos para conseguir um pénis mais apelativo e, portanto, uma conta bancária maior. Este curso ensina-lhe com quantos paus se faz uma canoa e com quantas varas se faz uma  camisa de onze varas, sem esquecer a verdadeira função do pau de virar tripas. Tudo à tripa forra.  Você tem a certeza de que sabe usar um preservativo, ou, pelo menos, de que contratou uma parceira que sabe? Modos de pescar preservativos, quando eles ficam lá dentro. Para os mais jovens, o curso apresenta uma interessante introdução ao órgão genital feminino, numa perspectiva cavaleira.

Literatura Medieval IV

Sumário: As Cantigas de Amigo e  as Queixas de Marido, de João Ruiz do Castelo do Bode. Os Alunos são encorajados a escrever e enviar uma Cantiga do Bandido  à esposa boazona do grandão que mora por cima. Todo o material do curso é gratuito, inclusive a escada de emergência, a manga de bombeiro e uma caixa de primeiros socorros.

Introdução à Biologia e Miudezas II

Sumário: Este curso ensina tudo sobre aqueles órgãos de que ninguém fala porque nunca dão chatices: glândulas vilas molenas (José Afonso em Mandarim), fígado de bacalhau, pé de atleta, mão de vaca, palma de maiorca, espírito de porco, nove e tal, calcanhar de aquiles, corações de atum, tripa forra, língua da sogra, etc. Fique a saber a razão por que temos um baço e não temos um lustroso. e que quanto mais baço é o baço, menos transparentes são as atitudes dos nossos políticos. 

Você sabia que há homens que têm umas glândulas mamárias fantásticas, mesmo ao seu lado,  e não sabem o que fazer com elas, e até conseguem adormecer? E que, pelo contrário, há outros que não têm nada que preste e que, mesmo assim, ficam em casa todas as noites, e fazem milagres??  Pense nisso e sinta a tranquilidade de saber que o mundo nunca se vai virar. Boas aulas.

     (Imagem daqui)

7 de novembro de 2011

A educação é uma coisa muito linda…

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No início de uma de minhas aulas, bem cedo, pouco passando das 8,30, reparei que um dos alunos se preparava para dormir, colocando ostensivamente junto das orelhas um velho despertador de lata ferrugenta que não ficava a dever nada ao que vos apresento na imagem. Aproximei-me lentamente e falei-lhe muito de mansinho: - Se pretendes despertar ainda durante esta aula, deves regular o despertador para a hora em que desejares fazê-lo. Se, pelo contrário, pretendes continuar a dormir até o fim dela, não precisas de o utilizar, pelo que deves remetê-lo de volta à mochila. Além de tudo, como deves ter já tido disso alguma percepção, há no final da aula um abominável toque de campainha que, inevitavelmente, te arrancará ao torpor da madrugada e desta lição…  - Tem toda a razão, Senhor Doutor. O senhor é, de facto, um homem sábio. Mas acontece que eu pretendo ouvir a segunda parte da sua aula. A minha mãe pediu-me que prestasse atenção, pelo menos, a cinquenta por cento das aulas da manhã. Afirmou-me que, no seu tempo, também assim fizera e hoje está bem na vida, embora isso se tenha devido, principalmente, ao facto de ter casado com um dos actuais donos das Águas de Portugal que, por mero acaso, é também meu pai. Vou, pois, guardar o despertador tal como me sugeriu, pedindo-lhe ainda dois gratos favores: Primeiro, que mantenha um nível de voz consentâneo com o meu repouso; segundo, que me acorde daqui a 45 minutos se, porventura, eu não acordar com o barulho dos alunos que entretanto, e como de costume, acordarão também por essa hora… Muito obrigado. – De nada, ora essa!

  (Imagem daqui)    

12 de setembro de 2011

Eficácia eficácia, sexos à parte

SexosA filosofia educacional do professor Everett J. Wilson, director do secundário na Masters School (Estado de Nova York), promove a separação dos sexos, com vista à aprendizagem diferenciada de rapazes e raparigas. A filosofia, apesar de nos parecer retrógrada e um pouco rançosa, pode muito bem estar certa, pelo menos em parte.

No meu tempo (algures entre a Antiguidade Oriental e os Beatles), não havia turmas mistas. Todos desconfiávamos da existência de raparigas, mas nenhum de nós tinha, até então, tido a ventura de estar a menos de cinquenta metros de uma delas. A primeira vez que vi uma garota numa das minhas turmas foi nos finais da década de sessenta, eu era um morceguito de 17 anos e nunca mais dei uma para a caixa nas aulas de Latim… Ainda hoje não consigo descrever a perturbação que aquela presença feminina trouxe à minha vida académica e à organização das minhas aprendizagens. (Um pouco mais tarde descobriria que o estrago que as mulheres provocam nas nossas vidas vai, de facto, muito além da nossa carreira académica).

Por seu turno, as raparigas não são menos prejudicadas nas turmas mistas, por causa das bocas impróprias ou extemporâneas da inconsequente e boçal rapaziada. De facto, é visível que a canalha do sexo masculino se costuma armar aos cágados com as suas alarvidades e que as garotas, mais maduras, acabam por lamentar o tempo que estão ali a perder na sua companhia…

Um pouco mais a sério, quem defende a teoria da separação de género baseia-se na diferença de ritmos de aprendizagem, embora não sustente, de modo inequívoco, qual dos sexos é mais rápido e qual mais lerdo.

Com um pouco de azar, perfila-se no horizonte uma nova divisão de trabalho. Basta acrescentar à questão dos ritmos de aprendizagem alguns programas, cargas horárias e disciplinas um pouco mais consentâneas com a sensibilidade do belo sexo. Et voilà.

E é assim que, em nome da eficácia educativa, se sacrifica o festivo colorido de uma turma alegremente promíscua e atarantada. Tudo no bom sentido e a bem da nação, é claro... :)

  Tralapraki.  (Imagem daqui)

11 de junho de 2011

Atropelos

atropeloTodos sabemos que se aproximam lutas, urros, uivos, arruaças e revoltas, manifestações e greves. Sabemos que haverá contestação nas ruas, quer isso resolva os nossos problemas, quer acrescente problemas novos aos que já temos. E umas das mais importantes guerrilhas que se desenham no horizonte curto é a que oporá a troika à já semi-espoliada Constituição de 1976.

A perspectiva do atropelo já voa por aí de boca a orelha. É já palavra corrente que muitas das directivas referidas no documento da troika atropelam, com o seu revanchismo atrevido, a Constituição da Republica.

Por outro lado, não faltará quem sustente que a Constituição, no seu resguardadíssimo articulado, atropela as directivas referidas no documento da troika.

O atropelo será, portanto, mútuo, como mútuas serão as diatribes produzidas. Ou, se preferirem, a irresponsabilidade de uns atropela a tirania dos outros.

(E vice-versa, pois claro.)

   (Imagem daqui)   

29 de abril de 2011

o ligeiríssimo foi ao casamento da princesa (2)

pai de kateNão sei por que meios ou por que carga de água, tive oportunidade de contactar com o senhor Middleton:

“Claro que of course estou happy. O rapaz the guy não é rico mas é normal straight, não sofre de ataques de homossexuality, e tem um bom emprego, é aviador. Isso de ser príncipe não me diz nothing… mas a minha filhota ficou tarada de todo quando soube que ele era o Prince… ela gosta muito da música dele… E depois ele tem cara de ser um banana, nerd you know,que é tudo o que uma mulher deseja e precisa para ser feliz… Agora desculpe, mas tenho que me ir atirar aos canapés…“

  (Imagem daqui)

o ligeiríssimo foi ao casamento da princesa (1)

kateA noiva Kate ia, de facto, linda, com um vestido cheio de dúvidas e de expectativas, um diadema de 1930 e, claro, o nariz do pai…

 

(Imagem pública)

13 de abril de 2011

Os meus amigos do Foice Buque

facebook1Eu não sei o que está a acontecer aos meus amigos. Dizem-me que emigraram para uma espécie de país chamado Foice Buque que é na Internet, não sei se mais perto ou mais longe que Powerpoint. Estão todos bem, graças a deus, parece que trabalham numa quinta e não lhes falta o sustento. (Que isto já se sabe, quem trabalha numa quinta, mesmo que ganhe pouco, sempre arranca umas laranjas ou rouba uns morangos ou mata uma criação e lá vai vivendo).

Identifico-os pelas fotografias mas não os reconheço nas piadas. Dantes eram mais inteligentes e diziam mais coisas. Sentados à mesa recheada de minis, soltavam genialidades e arrotos. Enfim, eram amigos normais.

Agora não. O Zé anda sempre à procura de pregos para consertar a vedação, (que isto já se sabe, quintas grandes é assim, as vedações estão sempre a precisar de trato). O Pedro anda a prender ladrões (santo deus) e a comer rosquinhas, em vez de caldeiradas, bifanas e farturas, como dantes fazia. A Etelvina deu em comentadora de fotografias e de ligações (?), nos tempos livres que a quinta lhe permite. O Diogo, coitado, não diz coisa com coisa! Cola ditarolas de outras pessoas, quase sempre nos sítios obtusos e nos momentos errados. (A assincronia da Internet só pode ser conspiração do grande capital!).

Enfim, alguns estão a abrir negócios e há até um que fundou uma nova cidade e agora está a construir uma prisão, porque, enfim, parece que a Farmville e a Cityville não nos trazem nada de novo, além de mais um tópico de alienação primária…

  Post 736                 (Imagenm daqui)

9 de abril de 2011

Do amor e outro olvidos (5)

abordagem A abordagem


Nunca ninguém viu um homem rico que fosse feio, nem um pobre que fosse belo. Um homem rico impõe logo a sua eventual feiura como beleza universal.

 

Achavas então que eu não voltaria ao assunto, meu caro Paulo! Vê-se que não me conheces suficientemente. Certamente imaginaste que o facto de as minhas abordagens anteriores se terem saldado por um certo fracasso, em termos de audiência, amoleceria o meu desejo de continuar. Como achas tu que eu consegui o que consegui (embora muito pouco, quando comparado com o primo João Luís, é claro)? Desistindo logo à primeira nega? Claro que não, companheiro.

Hoje, quero-te falar da abordagem. Sim, não, bom, não é propriamente essa dos piratas em alto mar. É a abordagem que se faz às mulheres, certo? Ora aí está. Mas é uma abordagem, quand même…

Na vida, caro Paulo, há dois tipos de homens: os ricos e bonitos e os feios e pobres. Raramente estes adjectivos fazem permutas entre si. Nunca ninguém viu um homem rico que fosse feio, nem um pobre que fosse belo. Um homem rico impõe logo a sua eventual feiura como beleza universal. Um homem pobre que seja, por hipótese remota, belo, estará a

criar um paradigma de fealdade sobre o que antes era um arquétipo de beleza, digamos, romântica.

Todo este arrazoado serve para te dizer que eu, um generoso espécime de homo feiissimus, suei demais para conquistar as poucas mulheres que me permitiram apaziguar a minha relação com o desejo. Paulo, eu não tenho certeza se tu és mais bonito do que eu era quando tinha a tua idade. Mas sei que somos ambos pobres. Na verdade, tu ainda estás pior que eu porque tu nem curso tens ainda e, mesmo que já o possuísses, isso não ia fazer grande diferença. Posso, portanto, partir do são princípio de que a minha situação de há 40 anos é, em quase tudo, semelhante à tua situação de hoje, descontando, obviamente, as transformações que o tempo operou na cabeça e no entendimento das mulheres, profundas, sem dúvida, mas não suficientes para criar abismos intransponíveis entre as do meu tempo e as que hoje se te apresentam pela frente. Ah, adormeceste! Continuamos noutro dia. Toma lá esta manta que, parecendo que não, este clima desorientado pode arrefecer de repente e…

  (Imagem daqui)

8 de abril de 2011

idiotas

Os nomes seguintes pertencem todos a pessoa que considero uns perfeitos idiotas:

1.* _________________________________________________________________

2.* _________________________________________________________________

3. *_________________________________________________________________

4.* _________________________________________________________________

5.* _________________________________________________________________

* A lista, obviamente, não está completa. Prometo completá-la logo que seja bafejado com o Euromilhões. Poderei, então, escrever todos os nomes que, por enquanto, entopem o meu esófago (por dificuldade em os engolir e medo de os vomitar).

Os primos e eu…

eleicoes-20081 Vêm aí mais eleições. (Agora é todos os anos). Fica aí essa penetrante análise, para vosso governo (?).

Passos Coelho é muito parecido comigo quando fui Coordenador de Departamento: mandava os meus bitaites todos os dias, mas quem mandava realmente era quem me tinha lá posto. E eu continuava a mandar bitaites, e todos éramos muito felizes só por imaginarmos todos que o éramos.

Sócrates é como o meu primo Valter: é vendedor de sanitas mas também faz fotografia artística e livros de autor com badana e tudo, capa rija e isenção de IVA.

Portas é como eu quando não sou Coordenador de Departamento nem tenho qualquer outro cargo: acho que tudo está mal e que todo o trabalho desses órgãos é absolutamente imprestável.

Jerónimo é um homem honesto, no sentido mais vacilante do termo. É tal e qual o meu primo Zé Tó. Motorista de uma locomotiva há muito parada, olha

pela janela a ver se algum transeunte lhe dá um empurrão. Mas se alguém lho der, ele salta fora da máquina mal ela pegue…

O Francisco é como o meu primo Basílio: açougueiro de profissão, bota faladura requintada sobre as carnes que vende, sem no entanto fazer ideia da sua verdadeira proveniência. Espreita a rua através das fitinhas coloridas da sua porta estreita e, se alguém entra é freguês, ainda que seja um vega que ali entre por engano.

O FMI não sei quem é, apesar de já me ter cruzado com ele uma ou duas vezes. Só sei que faz muito bem ao país e muito mal às pessoas que vivem dentro dele…

Mais coisa menos coisa, temos que escolher entre aqueles líderes, como se estivéssemos, de facto, a escolher entre mim e os meus primos Valter, Basílo e Tó Zé. A diferença não seria colossal. Provavelmente, nem perceptível.  

                                                                                                      (Imagem daqui

duas

“Eu sei que são duas, ora!”

(Imagem daqui)